Comunismo no séc. XXI


A guerra das ideologias diz-se que terminou aquando do fim da guerra fria e a derradeira luta entre o socialismo e o capitalismo teve o seu período áureo no pós guerra, durante a guerra fria o mundo assistiu a um equilíbrio pelo terror, ao temor de uma Terceira Guerra Mundial que seria nuclear, ainda mais catastrófica e mortífera que as suas predecessoras, que oporia a esfera soviética com a esfera norte-americana com consequências muito mais graves, onde, uma vez mais, a Europa seria um dos palcos de maior risco e que deste feita os alvos seriam as capitais destas esferas, Moscovo e Washington, seria a "guerra mundial" mais amplamente mundial que houvera existido. Esteve muitas vezes perto, mas felizmente não aconteceu.

 

 

 

Hoje em dia o que se presencia é o definhar da credibilidade do sistema comunista e do socialismo, não por culpa da ideologia em si, mas devido àqueles que se auto-intitulam portadores da ideologia, falando clara e abertamente, aqueles que se refugiam na luta de classes e do socialismo para desculpar raptos e recurso a capitais sujos para financiarem e sua guerrilha, tal é o caso das FARC-EP que se dizem libertadores do povo oprimido mas que no fundo não passam de criminosos, que se valem de raptos e actividades ilícitas como o tráfico de droga mas que não podem ser considerados defensores do povo e da luta de classes ou do socialismo, são APENAS E UNICAMENTE CRIMINOSOS. E como tal, devemos desmarcarmo-nos deles por forma a não fragilizar a imagem da verdadeira ideologia, a ideologia que pretende mudar o mundo, instituir uma sociedade sem classes, mais justa e igual.

 

Mas não se pense que as FARC-EP são as únicas neste processo desmoralizante e de descrédito, para isso contribui ainda outros factores, leia-se países, tal é o facto da Coreia do Norte e da China, ambas se dizem repúblicas socialistas, geridas por um partido comunista, mas a única inferência que daí podemos retirar é a seguinte, tanto a China como a Coreia do Norte, não são mais do que ditaduras, com especial incidência na Coreia do Norte, um Estado gerido a bel-prazer pela tirania da família reinante que faz e desfaz como bem quer um país quase totalmente fechado para o mundo, uma decadência a olhos vistos, um país falhado por culpa da pessoa que o dirige e do partido que o dirige. Não é de certeza um país comunista ou socialista, é uma ditadura do tipo tirânica e sem escrúpulos que oprime e tiraniza o seu povo. Uma autêntica “bandalheira”. Já a china, embora menos tirânica que a Coreia do Norte, não passa de um Estado “gigante” dirigido por uma elite política corrupta e ditatorial, ao estilo fascista, o que a distingue do regime do Estado Novo é o facto de ser dirigida por um Partido Comunista, um Partido


 Comunista corrompido e estropiado uma mescla de capitalismo sórdido, pior que o dos Estados Unidos e, uma perseguição impositiva que não beneficia o povo chinês mas apenas os neo-capitalistas da elite do Partido Comunista Chinês. Grassa o desrespeito pelos direitos humanos, pelos outros Estados, enfim pela dignidade humana. Qual a razão de a China suportar o regime da Birmânia? Ou o regime de Mugabe? Só para fazer frente aos Estados Unidos? E o que dizer do Tibete, neste caso poderíamos falar em extrema protecção contra um Estado religioso, mas entre um regime do Dalai Lama e o de Pequim, sinceramente venha o diabo e escolha, se bem que TODOS OS POVOS TÊM DIREITO À SUA AUTODETERMINAÇÃO, coisa que a China não aplica, simplesmente limitou-se a invadir, conquistar e colonizar, como se fazia no tempo do império.

Mas mais grave do que isso é ver o Partido Comunista Português afirmar que tem dúvidas sobre se a Coreia do Norte é uma democracia. Como se dúvida houvesse de que a Coreia do Norte não é, de facto, uma democracia, nem pela perspectiva capitalista nem muito menos pela perspectiva comunista é, aliá, uma ditadura das mais opressivas.

 

É urgente que o Partido Comunista Português se desvincule da China, da Coreia do Norte e de todos os regimes diatatoriais, que os condene publicamente e que se faça entender que ser comunista não é ser ditador.

 

O PCP tem uma longa história de luta pelo povo Português e pela igualdade, não é justo ter de ser comparado à China nem muito menos à Coreia do Norte, o PCP e os comunistas em geral sabem e deve reconhecer que não se revêem nestes Estados e lutar por uma sociedade mais justa, igual e sem classes, derrubar pela via parlamentar o capitalismo e propor sempre o bem e o melhor para os cidadãos, para a Nação e para o mundo, só assim actuaremos de consciência limpa e com mais afinco em prol deste ideal comum.

 

publicado por Virgilio Alves às 16:53 | comentar | favorito